O céu tão límpido…



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O céu tão límpido...
Le ciel est si clair...


O céu tão límpido, vazio
E a terra tão cheia –
Por toda a parte,
A construção da vida e da morte.
Que mundo poderemos ainda erguer
Deste espaço envelhecido?
Deste espaço que não é multiplicável,
Só dentro dos olhos
O horizonte cresce
E é infinito.
Le ciel est si clair et vide
La terre si pleine –
Partout, de toutes parts,
Les constructions de la vie et de la mort.
Quel monde encore pourrions-nous ériger
De cet espace décati ?
De cet espace qui ne peut se reproduire,
Seul dans nos yeux
Grandit l'horizon
Et il est infini
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Amir Sharifpour
Le monde habité (2024)
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Peso de Outono


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Autre traduction :
Fernando Assis Pacheco »»
 
Cuidar dos Vivos (1963) »»
 
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Peso de Outono
Le poids de l’automne


Eu vi o Outono desprender suas folhas,
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.

Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso de Outono. Perderam as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.

Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.
J'ai vu l'automne se détacher de ses feuilles,
se perdre dans le giron des femmes folles.
Cent deux cents personnes, dans un café enfumé
de Heidelberg, cité prompte à se parer de neige,
savouraient leur ignorance avec tiédeur.

J'ai vu des amants perdre la raison
sous le poids de l'automne. Ayant égaré leurs forces
devant cet Automne viril et sanglant.
Les cris des amants au cœur
de la nuit, au cœur de la folie, me vrillaient
comme des couteaux la poitrine.

Certains poètes, je les lisais mieux en automne ;
certaines amours, je n'ai pu les connaître,
comme je les ai connues, que les jours de vendanges.
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Edvard Munch
Les buveurs (1906)
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