O que por ilusão…



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O que por ilusão…
Ciò che per inganno…


O que por ilusão dissemos pertencer-nos
Enleou-se em nós, como canto de sereia,
Induziu-nos a uma espécie de estase
Que confundimos com permanência.
E, no entanto, agora tudo é um passado
Que reconhecemos passado de mão em mão,
Quanto nos pertenceu apenas emprestado,
Algo de outros e que será de outros,
Sem marca alguma de ter sido nosso.
Ce que nous croyons nous appartenir en propre
Se mêle à nous, pareil au chant des sirènes,
Il se produit alors une sorte de stase
Que nous confondons avec la permanence.
Et dès lors que tout maintenant est passé
Nous le voyons se transmettre de main en main
Ce que nous croyions nôtre n'était qu'un prêt,
Chose appartenant à d'autres et, plus tard, à d'autres
encore, sans trace aucune d'avoir été nôtre.
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Marc Chagall
La Baie des Anges (1962)
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A Desobediência Castigada


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O Decote da Dama de Espadas (1988) »»
 
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A Desobediência Castigada
La désobéissance punie


Não foi culpa minha
se caí na selha e se meu irmão
correu para dentro a chamar
o criado que a mana estava
a molhar os vestidos quando eu
estava mas era a afogar-me
não foi culpa minha
se desobedeci a minha mãe
por sem sua licença passar a ferro
o vestido azul da boneca e assim
fazer no pulso com o ferro em brasa
uma queimadura rubra e sépia
como uma pétala de rosa macerada
que escondi com um lenço que anda
a menina a esconder com o seu lenço
nada minha mãe nada é uma arranhadela
que o gato arranhou por o não querer largar eu
não foi culpa minha
se a criada esqueceu a porta das traseiras
aberta e eu tropecei no degrau
e caí no lajedo e parti a cabeça
para ainda hoje trazer na testa
uma cicatriz que disfarço
com uma madeixa de cabelo
não foi culpa minha
se porém sempre por desobediência
minha mãe me privou da sobremesa
Ce n'était pas ma faute
si tombée dans la baignoire mon frère
s'est retourné pour appeler
la bonne parce que sa copine
avait mouillée sa robe tandis que moi
j'étais en train de me noyer
ce n'était pas ma faute
si j'ai désobéi à ma mère
en repassant la robe bleue de ma poupée
sans permission et si je me suis fait ainsi
au poignet une brûlure rouge
et sépia avec le fer chaud
comme un pétale de rose macéré
que j'ai caché avec mon mouchoir
comme le ferait une petite fille avec le sien
ce n'est rien maman rien c'est une griffure
que le chat m'a faite car je ne voulais pas le lâcher
ce n'était pas ma faute
si la bonne a oublié de fermer la porte du fond
si j'ai trébuché sur la marche
si je suis tombée sur le trottoir
et si je me suis cassée la tête
gardant aujourd'hui encore une cicatrice
que je dissimule avec une mèche de cheveux.
ce n'était pas ma faute non plus
si toujours pour ma désobéissance
ma mère me privait de dessert.
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Giovanni Boldini
Jeunette avec chat noir (1885)
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Quadra já antiga


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A Pão e Água de Colónia (1987) »»
 
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Quadra já antiga
Un quatrain d'autrefois


A rapariga que esperava muito
as cartas do namorado
que lhe escrevia muito pouco
casou-se com o carteiro
La jeune fille impatiente
des lettres de son amant
peu prolixe en écritures
a épousé le facteur
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J.P. Hall
Le facteur en campagne (1859)
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Minha avó e minha mãe…


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Minha avó e minha mãe…
Ma mère et ma grand-mère…


Minha avó e minha mãe
perdi-as de vista num grande armazém
a fazer compras de Natal
hoje trabalho eu mesma para o armazém
que por sua vez tem tomado conta de mim

uma avó e uma mãe foram-me
entretanto devolvidas
mas não eram bem as minhas
ficámos porém umas com as outras
para não arranjar complicações
Ma mère et ma grand-mère
je les ai perdues dans un grand magasin
en faisant les achats pour Noël
aujourd'hui je travaille pour ce même magasin
et cette fois-ci ils prennent soin de moi

une mère et une grand-mère
entre-temps m'ont été rendues
mais ce ne sont pas les miennes
nous sommes restées ensemble cependant
pour éviter les complications
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Félix Vallotton
Le Bon Marché (1898)
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Aproveitaram a esperada ausência…


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Aproveitaram a esperada ausência…
Elles ont profité de l'absence…


Aproveitaram a esperada
ausência das tias
para a sete chaves
se fecharem no quarto
mais húmido da casa
aí a sete chaves
elas fizeram-se comer uma à outra
bombons
Elles ont profité de l'absence
prévue de leurs tantes
pour, à double tour
s'enfermer dans la pièce
la plus humide de la maison
et là, à double tour
elles se sont forcées mutuellement à manger
des chocolats.
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Kurt Schwitters
Merzz. 53. bonbon rouge (1920)
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