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Escultura
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Sculpture
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Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos, Pelo teu olhar vago e incerto Como o dos que não pararam no riso e na alegria. Te amava por todos os teus complexos de derrota, Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa. Te falei um dia fora da fotografia Te amei com a mesma ternura Que há num carinho rodeado de silêncio E não sentiste quantas vezes Minhas mãos usaram meu pensamento, Afagando teus cabelos num êxtase imenso. E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia Que a verdade da vida sempre pede E que interminavelmente tens que dar!... |
Sur les photographies, je t'aimais déjà.
Pour ton air triste et décadent de vaincu, Pour ton regard incertain et vague Pareil à ceux qui ne s'arrêtent, ni au rire, ni à la joie. Je t'aimais malgré ton obsession de la défaite, Malgré ton allure contrastant avec la gloire des athlètes, Et jusqu'à l'indécision de tes gestes lents. Je t'ai parlé un jour hors du cadre photographique Et je t'ai aimé avec la même douceur Qu'une caresse entourée de silences, Et tu n'as pas senti combien de fois mes mains, Guidées par mes pensées, caressaient Tes cheveux avec une immense extase. C'est ainsi que je t'aime, voyant dans ta forme et tes yeux Toute une existence façonnée par la force et l'angoisse Que la vérité de la vie exige toujours Et que tu n'as jamais eu de cesse à offrir !... |
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| Felice Casorati Anna Maria de Lisi (1919) |




