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Abandono
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Abandon
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A exaustão faminta
Procura elementos ainda vivos no meu ser Talvez guardados em escuros vácuos Que carrego sem saber. Alimenta-se do sopro das imagens Desenhadas pela minha imaginação Pelo tato dos meus sentimentos, Pelo pânico do desconhecido. Aparece como febre constante dilatando as minhas carnes Descoloridas e sem sabor de vida. A exaustão sobe pelos meus pés, Cobre os meus gestos incipientes, Prende a minha língua, Suga o meu cérebro, ninho de aranhas em fogo, Pousa no meu cabelo como morcego. Exaustão que funga o ar, que saqueia o meu silêncio, Último repouso nos meus vácuos devassados. |
Une soif insatiable
Cherche les éléments peut-être encore vivants, Gardés dans les obscures anfractuosités Que je porte en mon être sans le savoir. Elle se nourrit du souffle des images Que mon imagination a inventé Au contact de mes sentiments, Épouvantée par l'inconnu. Elle se manifeste, fièvre assidue dilatant mes chairs Décolorées et privées de toute saveur. Elle remonte, épuisée, depuis mes pieds, Étouffe mes gestes naissants, Paralyse ma langue, Aspire mon cerveau, comme un nid d'araignées en feu, Et, chauve-souris, se pose sur mes cheveux. Une faim reniflant l'air, saccageant mon silence, Mon ultime repos en mes anfractuosités profanés. |
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| Felix Vallotton Femme couchée dormant (1899) |




