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Sei que um dia…
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Je sais qu'un jour...
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Sei que um dia vão desaparecer estas mulheres.
Os seus olhares deixarão de varrer o granito, a sua sombra há de misturar-se com a claridade incandescente da hora do calor em pleno agosto. Todas vestidas de preto, lenço na cabeça, preto, as pontas do lenço atadas por baixo do queixo, vão desaparecer uma a uma, em velórios de toda a noite, acompanhadas por cada vez menos gente. Então, ninguém conseguirá explicar o motivo por que nunca lhes foi permitida outra cor. E o tempo destas mulheres parecerá irreal, bastará o início de um sopro para desgastá-lo, elas próprias se terão transformado num sopro, numa palavra por dizer. Afinal, não eram eternas, havia uma idade, definitiva, ainda a esperá-las. Quem lavará as suas campas no cemitério? |
Je sais qu'un jour ces femmes disparaîtront.
Leurs regards cesseront de balayer le granit, leurs ombres se mélangeront à la lumière incandescente d'un plein midi du mois d'août. Vêtues de noir, foulards noirs noués sous le menton, elles s'évanouiront toutes les unes après les autres, en des veillées funèbres qui dureront la nuit entière, accompagnées de moins de monde, à chaque fois. Alors, plus personne ne pourra expliquer pourquoi on ne leur a jamais permis de porter une autre couleur. Et le temps de ces femmes semblera irréel, le simple début d'un souffle suffira à l'effacer, car elles-mêmes se seront transformées en un souffle, une parole indicible. Après tout, elles n'étaient pas éternelles, avoir un âge, un âge définitif, les attendait encore. Mais qui nettoiera leurs tombes au cimetière ? |
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| Marianne von Werefkin Femmes en noir (1910) |




