Lenda das Sete Chaves


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Lenda das Sete Chaves
La légende des Sept Clefs


Fechaste o Céu a sete chaves...

E que me importa não acha-las,
as sete chaves escondidas?
A mim me basta procura-las.
Já sou feliz só de saber
que ando à procura
das sete chaves.

Mas Tu, Senhor, aborrecido,
mas Tu que só Tu has-de sentir,
sempre teimando em não abrir
e em recusar
a nossa humana companhia.
Farto das almas velhas-relhas
sem novidades pra contar!
Que estranha a Tua teimosia!...

Ah!, já de pasmo Te finaras
se volta e meia não viesses,
mas disfarçado e às fugidas,
pra me ajudares a procurar
as sete chaves escondidas.
Tu as verrouillé le Ciel avec sept clefs…

Et qu’importe si je ne les trouve
pas, ces sept clefs cachées ?
Il me suffit de les chercher.
Je suis déjà heureux
rien qu’en sachant que je suis
à la recherche des sept clefs.

Mais Toi, Seigneur, qui t'ennuies tant,
mais Toi, le seul à pouvoir comprendre,
Tu t’obstines toujours à ne pas ouvrir
et à repousser
notre compagnie humaine.
Lassé de ces âmes décrépites
qui n’ont plus rien de neuf à raconter !
Comme elle est étrange Ton obstination !...

Ah ! tu serais déjà mort d’effarement
si, de temps à autre, tu ne venais pas,
mais déguisé et en cachette,
pour m’aider à rechercher
les sept clefs qui sont cachées.
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Gerrit Dou
Astronome à la lumière d'une chandelle (1659)
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Da minha janela…


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Da minha janela…
De ma fenêtre…


Da minha janela
vê-se a Poesia.

Não te digo, não,
se é bonita ou feia,
se é azul ou branca,
nem que formas tem.

Queres conhecê-la?

Deixa o teu bordado,
vem para o meu lado,
que já podes vê-la
com teus próprios olhos.
De ma fenêtre,
on peut voir la Poésie.

Non, je ne te dirai pas
si elle est bonne ou mauvaise,
si elle est bleue ou blanche,
ni quelles formes elle prend.

Tu veux la découvrir ?
Laisse tomber ta broderie,
viens à mes côtés,
tu pourras la voir alors
de tes propres yeux
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Marc Chagall
Couple au chandelier (1954)
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Cansaço


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Cansaço
Lassitude


Não quero amar nem ser amado…
Quero ficar estúpido e cansado
a este canto, e só.

Batido pelo Vento,
sem conforto, sem pão, sem alegria.

E se eu chamar não venhas.
(Que eu não hei-de chamar-te…)

No entanto, Amor, não saias para longe.
É que eu posso, apesar de tudo quanto digo,
chamar por ti.
E era tão bom saber que me escutavas!...
E era tão bom sentir que perdoavas!...
Je ne veux ni aimer ni être aimé…
Je veux rester stupide et las
en ce lieu, et seul.

Balayé par le vent,
sans réconfort, sans pain, sans joie.

Et si je t’appelle, ne viens pas.
(Car je ne dois pas t’appeler…)

Pourtant, mon amour, ne t'éloignes pas trop.
Car je pourrais, malgré tout ce que je dis,
avoir envie de t'appeler.
Et quel bonheur de savoir que tu m'écoutes !…
Et quel bonheur de voir que tu me pardonnes !
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Michael Sweerts
Portrait de jeune homme (1656)
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Canção inútil


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Canção inútil
Chanson inutile


Nunca o Mar me quis ter nas suas ondas
enrolado e perdido.
Sou o Poeta das manhãs fecundas:
vivo me quer o Mar, para cantá-las.
Jamais la Mer n'a voulu m'enrouler
dans ses vagues et me perdre.
Je suis le Poète des matins féconds :
la Mer me veut vivant, afin que je les chante.
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William Henry Lippincott
Un peintre au bord de la mer (1885)
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As Crianças


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As Crianças
Les enfants


Olhavam para tudo extasiadas.
Puras, em cada rosa, em cada pedra,
viam beleza eterna e absoluta.
Seus olhos primitivos resumiam
a intacta poesia da Manhã.
Ils regardaient partout, émerveillés.
Purs, en chaque rose, en chaque pierre,
ils voyaient la beauté éternelle et absolue.
Leurs regards primitifs résumaient
l'intacte poésie du Matin.
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Pablo Picasso
Claude et Paloma dessinant (1954)
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