A civilidade


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Carlos Nejar »»
 
Os Viventes (1979) »»
 
Italien »»
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A civilidade
La civilité


O rinoceronte tem uma civilização sensata. Os
ossos preferíveis à barriga tenra, engomada.
O casco férreo, insensível. Suporta o chicote,
suporta a afronta, suporta a escravidão,
suporta,
suporta. Tem enxaquecas decerto. Numerais,
verbais. E tédio. Só os olhos se alçam. As
pálpebras parecem um
relógio de chuva
caindo; as patas são suavíssimas quando
não sufocam esta civilidade que os homens
exaltam. E o brasão de maviosa hierarquia
é o unicórnio, marca de Jacó , que ascendeu
da coxa à testa, o estrelo alucinante.
Fora do rinoceronte, o rinoceronte.
Fora da salvação, a salvação.
Fora do homem, o homem.
Le rhinocéros a une culture de bon sens. Les
os sont préférés au ventre mou et amidonné.
Son cuir est de fer, insensible. Il supporte le fouet,
il supporte l'affront, il supporte l'esclavage,
supporte,
il supporte. Il a certainement des migraines. Numériques,
verbales. Et il s’ennuie. Seuls ses yeux se lèvent. Ses
paupières ressemblent à une
horloge de pluie
qui tombe ; ses pattes sont très gracieuses lorsqu'
elles n'étouffent pas cette civilité que les hommes
exaltent. Et le blason de la tendresse hiérarchique
est la licorne, emblème de Jacob, qui monte
depuis la cuisse jusqu'au front, hallucinante étoile.
En dehors du rhinocéros, le rhinocéros.
En dehors du salut, le salut.
En dehors de l'homme, l'homme.
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Masakazu Miyanaga
« Omnis Habet Sua Dona Dies » À chaque jour, ses bienfaits - Martial (2010)
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