Os fuzilados de Goya


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Carlos Nejar »»
 
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Os fuzilados de Goya
Les fusillés de Goya


Morremos
mas não abrimos mão
do que sonhando,
é mais do que estar vivo,
é ter vivido
o último percalço
do equilíbrio.

Os homens não toleram
a consciência, nem
se toleram como feras.
E se à luz não se apegam,
são mais tristes, duros,
solitários. Gorjeando
contra o frio, os ledos
ossos.

Morremos. Onde é alma,
sobrevive. E toda a eternidade
é ver o instante
que as armas nos apontam
com seu fogo.

E mais que a pontaria,
o grito enorme,
como flores caladas
junto aos olhos.
São pálpebras que falam
o seu ódio.

O pelotão explode
e nós olhamos na cara
o vosso susto, a morte
que nos dais, o sonho
florescendo igual a um campo,
onde fuzis plantados
se levantam.

E esta porta
aberta
sobre a morte.
Nous mourons
mais sans jamais
renoncer à nos rêves,
plutôt que d'être vivant
mieux vaut avoir vécu
le dernier accident
de l’équilibre

Les hommes ne tolèrent pas
la conscience, ni ne
se tolèrent comme animal.
Et s’ils ne s’attachent pas au jour,
ils sont plus tristes, durs,
et solitaires. Râlant
contre le froid, claquant
des os.

Nous mourons. Où est l’âme,
elle survit. Et toute une éternité
réside dans l'instant
où l'on voit les armes qui pointent
contre nous leur feu.

Et plus que la visée des armes,
le cri énorme,
comme le silence des fleurs
près de nos yeux.
Paupières qui nous parlent
de leur haine.

Le peloton explose
et nous voyons sur vos faces
la peur, la mort
que vous donnez, rêve
qui fleurit pareil à ce champ
où se dressent des fusils
plantés en terre.

Et cette porte
s'ouvre
sur la mort.
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Goya
El tres de mayo de 1808 en Madrid (1813)
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