Desde as cozinhas na cave…


Nom :
 
Recueil :
 
Autre traduction :
Adília Lopes »»
 
O Decote da Dama de Espadas (1988) »»
 
Italien »»
«« précédent / Sommaire / suivant »»
________________


Desde as cozinhas na cave…
Depuis les cuisines du sous-sol…


Desde as cozinhas na cave onde
marroquinos preenchiam tacinhas escacadas
com um doce cor-de-laranja suspeita
até às retretes com as paredes cheias
suponho que de palavrões em várias línguas
tudo era muito cosmopolita a casa
para mim bastante duvidosa ou talvez fosse só eu
que andasse suspeitosa nunca o saberei
lá não hei-de voltar
jamais no meu quarto começou por estar
uma americana que se não se chamava
Daisy pouco lhe faltava
fingia que lia Rich Man, Poor Man
gritava de noite à janela Shut up!
porque realmente saía muita gente
sempre em grita e riso do passage
de que esqueci o nome onde havia poeirentos
vidros azuis translúcidos salitre osgas
depois apareceu-me uma Stefania
que se dizia ruiva veneziana
e viver na Via Cava Aurelia
nunca acreditei em Roma
fazia por tudo e por nada queixas
ao gordo guardador das chaves
que dormia de tronco nu debaixo
de um cobertor branco de pelúcia
dois ou três gatos geralmente pretos perto
(embora estivesse muito abafado o tempo)
lá não hei-de voltar
Depuis les cuisines du sous-sol où
des marocains remplissaient de petits bols fêlés
d'une confiture couleur d’orange suspecte
jusqu’aux toilettes dont les murs étaient supposés
couverts d'insultes en diverses langues
tout était très cosmopolite la maison
me paraissait assez louche ou peut-être était-ce moi
qui la trouvait plutôt suspecte jamais je ne le saurai
là-bas je ne dois pas retourner
jamais dans ma chambre il y avait tout d'abord
une américaine qui ne s’appelait pas
Daisy ou peu s’en faut
elle feignait de lire Rich Man, Poor Man
et criait la nuit par la fenêtre Shut up !
car vraiment beaucoup de gens sortaient
toujours en criant et en riant de ce passage
dont j'ai oublié le nom où il y avait poussiéreuses
des vitres bleues translucides salpêtre margouillats
et puis est apparue une Stefania
qui se disait rousse vénitienne
et vivait Via Cava Aurelia
jamais je n'ai cru en Rome
je me plaignais de tout et de rien
au gros gardien des clés
qui dormait torse nu au-dessous
d’une couverture blanche en peluche
deux ou trois chats généralement noirs rôdaient
aux alentours (malgré la chaleur étouffante)
là-bas je ne dois pas retourner
________________

Giovanni Maranghi
Deux (1988)
...

Nuage des auteurs (et quelques oeuvres)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant'Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (38) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (112) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eucanaã Ferraz (43) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (43) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (39) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (543) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poèmes inédits (350) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)