Volta à legalidade


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José Paulo Paes »»
 
Novas Cartas Chilenas (1954) »»
 
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Volta à legalidade
Retour à la légalité


Decretamos silêncio, mas alguns
Murmuravam ainda. Decepamos
A língua obstinada.

Proibimos lanternas, mas alguém
Nos olhava do escuro. Trespassamos
O olho indagador.

Pedimos sujeição, mas houve punhos
Erguidos contra nós. Inauguramos
A fase dos reféns.

Persistia a desordem. Era inútil
A tática cristã. Então usamos
A parede e o fuzil.

Hoje estamos, Comandante, receosos
Nesta cidade morta, onde escutamos
Ruídos tenebrosos.

Os cães latem demais. Há mesmo casos
De deserção na tropa. O medo, agora,
É hóspede constante.

Eis a última mensagem, Comandante:
A ordem foi mantida. Agora é tarde.
Deus nos guarde.
Nous avons décrété le silence, mais certains
Murmuraient encore. Nous avons découpé
La langue obstinément.

Nous avons interdit les lanternes, mais quelqu’un
Nous observait dans l’obscurité. Nous avons crevé
L’œil inquisiteur.

Nous avons exigé la soumission, mais des poings
Contre nous se sont levés. Nous avons inauguré
Le temps des otages.

Le désordre persistait. La tactique chrétienne
Était vaine. Nous avons alors recouru
Au mur et au fusil.

Aujourd’hui, Commandant, la peur nous gagne
Dans cette ville morte, où nous entendons
Des bruits sinistres.

Les chiens aboient trop. Il y a même des cas
De désertion dans les troupes. La peur, désormais,
Est une présence constante.

Voici le dernier message, Commandant :
L’ordre a été maintenu. Il est trop tard désormais.
Dieu nous garde.
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Jean Dubuffet
Être et paraître (1963)
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