Estigma


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Adalgisa Nery »»
 
Mundos Oscilantes (1962) »»
 
Italien »»
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Estigma
Stigmate


Não receio que partas para longe,
Que faças por fugir, por te livrares
Da força da minha voz
E da compreensão do meu olhar.
Não temo que os mares te levem
No bojo dos transatlânticos
Nem tampouco me amedronta
Que em possantes aviões
No céu e na terra,
Em todos os seres me encontrarás
Cortes espaços sem conta.
Serena ficarei se disseres
Que na certa me olvidarás
No ventre da mata virgem,
Nas areias dos desertos
Ou no amor de outras mulheres que terás.
Não importa.
Nada temo e desejo mesmo que o faças
Para que saibas o quanto estou em teus sentidos
E que a minha forma, o meu espírito
Jamais da tua existência passa.
Se fugires pelos mares
Tu me veras na espuma leve da onda,
Me sentiras no colorido de um peixe
E a minha voz escutaras dentro de uma concha.
Se partires pelos ares,
Certamente na brancura de uma nuvem
Tu sentirás a maciez e a alvura
Das minhas carnes.
Se fores para a floresta
Hás de me ver
Na árvore mais florida e harmoniosa.
Atravessando areias cálidas do deserto
Sei que trocarias o lenitivo de um oásis
Pela certeza de me teres perto.
E nas mulheres que encontrares,
Dos seios o perfume, das nucas a palidez,
Das ancas as curvas
E das peles a cor e a tepidez,
Fica certo, não te evadirás.
Porque desde a tua sombra
Ao teu mais rápido pensamento
Não serás livre de mim
Num um momento.
Je ne crains pas que tu t'éloignes,
Que tu essaies de t'enfuir, d'échapper
À ma voix puissante
Et à mon regard compréhensif.
Je ne crains pas que les mers t'emportent
Dans le ventre des paquebots,
Ni non plus ne m'effraie
Qu'en de majestueux avions
Dans le ciel et sur la terre
Parmi tous les êtres, tu me retrouves
Dans d'innombrables espaces.
Je resterai sereine si tu dis
Que tu m'oublieras sûrement
Au cœur de la forêt vierge,
Dans les sables des déserts,
Ou dans les bras d'autres femmes.
Peu importe.
Je n'ai peur et te souhaite de n'avoir peur de rien
Pour que tu saches combien j'appartiens à tes sens
Et à quel point ma façon d'être et mon esprit
Ne pourront jamais se passer de ton existence.
Si tu fuis par-delà les mers
Tu me verras dans l'écume légère des vagues,
Tu me sentiras dans les couleurs d'un poisson
Et tu entendras ma voix au fond d'un coquillage.
Si tu pars dans les airs,
Dans la blancheur d'un nuage, sans doute
Tu sentiras la douceur et la blancheur
De ma chair.
Si tu t'en vas en forêt,
Tu me verras
Dans l'arbre le plus fleuri et le plus harmonieux.
Traversant les sables brûlants du désert.
Je sais que tu échangerais le réconfort d'une oasis
Contre la certitude de m'avoir près de toi.
Et chez les femmes que tu rencontreras,
Le parfum de leurs seins, la pâleur de leur cou,
Les courbes de leurs hanches,
La couleur et la chaleur de leur peau,
Sois-en sûr, ne te permettront pas de t'évader
Car de ton ombre
À ta pensée la plus fugace
Tu ne pourras pas un seul instant
Te délivrer de moi.
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Chiara Enzo
Nuque (2021)
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