Fado Alentejano


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Fado Alentejano
Fado Alentejan


Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Pátria que à força escolhi!
Quando cheguei, quis-te mal,
Alentejo-ai-solidão...
Julguei eu que te quis mal.
Chegava do vendaval,
Tão cego que te nem vi!

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Adro da melancolia!
Tua tristeza me pesa,
Alentejo-ai-solidão...
Quanto, às vezes, me não, pesa!
Mas fora de essa tristeza,
Pesa-me toda a alegria.

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Meu Norte-Sul-Este-Oeste!
Voltei ferido da guerra,
Alentejo-ai-solidão...
Faminto voltei da guerra!
Mendiguei de terra em terra,
Esmola, só tu ma deste.

Alentejo, ai solidão.
Solidão, ai Alentejo,
Oceano de ondas de oiro!
Tinha um tesoiro perdido,
Alentejo-ai-solidão...
Que eu já dera por perdido!
Nos teus ermos escondido
Vim achar o meu tesoiro.

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Convento do céu aberto!
Nos teus claustros me fiz monge,
Alentejo-ai-solidão...
Em ti por ti me fiz monge.
Perdeu-se-me a terra ao longe,
Chegou-se-me o céu mais perto.

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Padre-nosso de infelizes!
Vim coberto de cadeias,
Alentejo-ai-solidão...
Coberto de vis cadeias!
Mas estas com que me enleias,
Deram-me asas e raízes.
Alentejo, ô solitude,
Solitude, ô Alentejo,
Patrie choisie par force !
À mon arrivée, je te voulais du mal,
Alentejo-ah-solitude...
Je pensais te vouloir du mal.
J'arrivais pris dans la tempête,
Aveuglé, sans même te voir !

Alentejo, ô solitude,
Solitude, ô Alentejo,
Parvis mélancolique !
Ta tristesse me pèse,
Alentejo-ah-solitude...
Qui parfois, me pèse, sans me peser !
Mais hors de cette tristesse,
Me pèsent toutes les joies.

Alentejo, ô solitude,
Solitude, ô Alentejo,
Mon Nord-Sud-Est-Ouest !
Revenu, blessé de guerre,
Alentejo-ah-solitude...
Affamé, revenu de guerre !
J'ai mendié de terre en terre
Une aumône. Toi seul, me l'as donnée.

Alentejo, ô solitude.
Solitude, ô Alentejo,
Océan aux vagues dorées !
J'avais perdu un trésor,
Alentejo-ah-solitude...
Je croyais t'avoir perdu !
Mais dans ton désert caché
Je reviens chercher mon trésor.

Alentejo, ô solitude,
Solitude, ô Alentejo,
Couvent à ciel ouvert !
Dans tes cloîtres je me fais moine,
Alentejo-ah-solitude...
En toi, pour toi, je me fais moine.
Pour moi, la terre s'est perdue au loin,
Pour moi, le ciel s'est rapproché.

Alentejo, ô solitude,
Solitude, ô Alentejo,
Notre Père des malheureux !
Je suis venu couvert de chaînes,
Alentejo-ah-solitude...
Couvert d'infâmes chaînes !
Mais avec elles, tu m'entoures, tu me lies
Et me donnes, ailes et racines.
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Dordio Gomes
Paysage alentejan (1946)
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