O mocho e o macaco


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O mocho e o macaco
Le hibou et le singe


Era uma vez um mocho diz o meu filho
que sabe todas as histórias do mundo

uma vez um mocho
o macaquinho pergunta-lhe
o que é quando se morre?
pois nada diz o mocho
morre-se praí

o macaquinho insiste
mocho e quando tu morreres?
morro nada diz o mocho
hás-de morrer tu primeiro

mas veio uma zorra e comeu o mocho
que foi para um buraco muito fundo
ninguém cantava nesse buraco
só os morcegos e mesmo esses
só se a gente lhes batesse
com uma vassoura da cozinha

o macaquinho come bananas
escapa-se ao jacaré do Amazonas
que lhe quer dar uma dentada
salta nas árvores
uma daquelas era onde estava o mocho

coitado do mocho
não viu a zorra ao pé da carvalheira
morre-se praí
morre-se num instantemente de nada
morre-se a morte mocha
sem a gente dizer ai
Il était une fois un hibou dit mon fils
qui connait toutes les histoires du monde

une fois à ce hibou
le petit singe demanda
qu'arrive-t-il quand on meurt ?
eh bien, rien dit le hibou
on meurt voilà tout

le petit singe insista
hibou et quand mourras-tu ?
je ne mourrai jamais dit le hibou
tu devras mourir en premier

mais vint goupil qui mangea le hibou
il disparut dans un trou très profond
personne ne chantait dans ce trou
excepté les chauve-souris et encore
seulement si on les frappait
avec le balai de la cuisine

le petit singe mange des bananes
il échappe au caïman d'Amazonie
qui voudrait le croquer
il saute dans les arbres
l'un d'eux était celui du hibou

pauvre hibou
il n'a pas vu goupil au pied du chêne,
on meurt voilà tout
on meurt en un instant et à jamais
on meurt et la mort n'est pas chouette
sans même pouvoir dire : « aïe ».
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Pablo Picasso
Hibou (1952)
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