Adeus, Amor


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Manuel Bandeira »»
 
Estrela da tarde (1960) »»
 
Italien »»
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Adeus, Amor
Adieu, Amour


O amor disse-me adeus, e eu disse: “Adeus,
Amor! Tu fazes bem: a mocidade
Quer a mocidade.” Os meus amigos
Me felicitam: “Como estás bem conservado!”
Mas eu sei que no Louvre e outros museus, e até no nosso
Há múmias do velho Egito que estão como eu bem
conservadas.
Sei mais que posso ainda receber e dar carinhos e
ternura.
Mas acho isso pouco, e exijo a iluminância, o inesperado,
O trauma, o magma... Adeus, Amor!
Todavia não estou sozinho. Nunca estive. A vida inteira
Vivi em tête-à-tête com uma senhora magra, séria,
Da maior distinção.
E agora até sou seu vizinho.
Tu que me lês adivinhaste ela quem é.
Pois é. Portanto digo: “Adeus, Amor!”
E à venerável minha vizinha:
“Ao teu dispor! Mas olha, vem
Para a nossa entrevista última,
Pela mão da tua divina Senhora
— Nossa Senhora da Boa Morte”.

L'amour m'a dit adieu et j'ai dit: « Adieu,
Amour ! Tu fais bien : la jeunesse
Veut la jeunesse. » Mes amis
me félicitent : « Comme tu es bien conservé ! »
Mais je sais qu'au Louvre et autres musées, et jusqu'aux nôtres
Il y a des momies de l'ancienne Égypte qui sont comme moi
bien conservées.
Je sais pouvoir encore recevoir et donner caresses
et tendresse.
Mais j'y pense peu, et j'exige l'éclairement, l'inattendu,
Le trauma, le magma ... Adieu, Amour !
Toutefois je ne suis pas seul, ne l'ai jamais été. Toute ma vie
J'ai vécu en tête-à-tête avec une femme sérieuse et mince,
De grande distinction.
Et maintenant que je suis ton voisin,
Toi qui me lis, tu auras sûrement deviné qui elle est.
N'est-ce pas. Alors je dis : « Adieu, Amour ! »
Et à toi mon vénérable voisin :
« À ton service ! Mais regarde, viens
Assiste à notre dernière entrevue,
Prends la main de ta divine Dame
– Notre Dame de Bonne Mort ».

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Theodor Baierl
Le chevalier et la mort (1924)
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