Agora, apodrecer...


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José Gomes Ferreira »»
 
Poeta Militante I (1977) »»
 
Italien »»
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Agora, apodrecer...
Maintenant, corrompu...


Agora, apodrecer.
Nas ruas, no suor das mãos amigas dos amigos, na pele
 dos espelhos...
desespero sorrido, carne de sonho público, montras
 enfeitadas de olhos...

... mas apodrecer.

Bolor a fingir de lua, árvores esquecidas do princípio
 do mundo...
"como estás, estás bem?", o telefone não toca! devorador
 de astros...

... mas apodrecer.

Sim, apodrecer
de pé e mecânico,
a rolar pelo mundo
nesta bola de vidro,
já sem olhos para aguçar peitos
e o sol a nascer todos os dias
no emprego burocrático de dar razão aos relògios,
cada vez mais necessários para as certidões da morte
 exata,

Sim, apodrecer ...

"... as mãos, a còlera, o frio, as pálpebras, o cabelo
a morte, as bandeiras, as lágrimas, a república, o sexo...

... mas apodrecer!
Sujar estrelas.
Maintenant, corrompu.
Dans les ruelles, par la sueur des mains amies des amis,
 sur la peau des miroirs...
sourire désespéré, chair des rêves publics, vitrines
 agrémentés d'yeux...

... mais corrompu.

Moisissure pareille à la lune, arbres oubliés du début
 du monde....
« comment vas-tu, bien ? », le téléphone n'a pas sonné !
 Dévoreur d'étoiles...

...mais corrompu.

Oui, sur pied
corrompu et mécanique,
roulant à travers le monde
dans cette boule de verre,
n'ayant plus d'yeux pour aiguiser les seins
et le soleil qui se lève chaque jour
sur le travail bureaucratique donnant raison aux horloges
toujours plus nécessaires à l'exactitude des certificats
 de décès,

Oui, corrompu...

"... les mains, la colère, le froid, les paupières, les cheveux...
la mort, les drapeaux, les larmes, la république, le sexe...

... mais corrompu !
Souillure d'étoiles.
________________

Emilio Vedova
Immagine del tempo (1958-1959)
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